Tecnologia & Meio ambiente

Da lixeira para a ciclovia

Patenteada e fabricada no Brasil, bicicleta feita com garrafas PET recicla descartes e torna ainda mais benéfica a troca do acelerador pelos pedais

Da lixeira para a ciclovia

Conheça, em vídeo, a bicicleta de garrafa PET :

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EM DOBRO
Para Luiz Guedes, a nova bicicleta tem dois benefícios:
além de ajudar a melhorar o trânsito, preserva o ambiente

Com as possibilidades abertas pela reciclagem, começa a surgir uma categoria de gente que não se contenta em apenas trocar o carro pela bicicleta. Para atender esse público, o veículo tem de ser ecológico desde a concepção. Resultado de uma pesquisa de 12 anos do artista plástico uruguaio radicado no Brasil Juan Muzzi, 63 anos, as bicicletas ecológicas – uma patente mundial brasileira – possuem quadro de plástico feito a partir da reciclagem de garrafas PET. Para quem usa, as vantagens imediatas são a leveza em relação às tradicionais e o fato de não enferrujarem. Para o planeta, além da matéria-prima reciclada, elas não recebem solda, não levam tinta e geram uma economia de energia elétrica de 96% no processo de produção. E ainda são bonitas. “O design tem incentivado muita gente a trocar a bike antiga pelas sustentáveis”, diz Muzzi.

A produção, que começou no início do ano passado a passos lentos, já está a todo vapor. Hoje são feitas 12 mil unidades por mês, mas a expectativa é dobrar esse total até junho. Os preços são compatíveis com os da concorrência: o modelo básico, de uma única marcha, custa R$ 450; os intermediários, R$ 850; e o mais completo sai por R$ 1.990. E há mais uma isca para atrair os ciclistas comprometidos com as questões ambientais: se ele levar as cerca de 200 garrafas PET necessárias para a montagem do quadro, ganha desconto no preço final.

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PROFESSOR PEDAL
Para chegar ao modelo final da bicicleta ecológica, o artista
plástico Juan Muzzi investiu R$ 3 milhões e 12 anos de sua vida

Usuário de bicicleta como principal meio de transporte há 15 anos, o jornalista paulistano Luiz Guedes, 32 anos, enumera os benefícios do produto: “Ela me permite juntar as duas coisas que a bicicleta representa: colaboração com o trânsito e com o meio ambiente”. Há três meses ele adquiriu uma Muzzicycle, a marca de bicicletas de Muzzi. “É diferente, mais mole, não precisa de amortecedor. É ideal para curtas e médias distâncias”, avalia ele, que pedala cerca de 40 quilômetros por dia. Segundo Guedes, quem não está acostumado pode estranhar no começo. “Ela entorta um pou­co durante o uso”, diz ele, que comprou um modelo básico para usar principalmente na praia e fugir da ferrugem. Para o comerciante paulistano Dagoberto de Andrade, 31 anos, essa maciez da bicicleta é a maior qualidade das Muzzicycles. Mas a flexibilidade pode gerar desconfianças quanto à resistência do material. Para tirar dúvidas, Muzzi filmou um teste em que joga o quadro de uma altura de 18 metros e o atropela com um carro de 400 kg. O produto sobreviveu.

Até chegar ao modelo ideal, o criador do produto conta que foram feitos diversos testes e moldes de quadro, o que demandou um investimento de cerca de R$ 3 milhões. Para ajudar a diluir esse gasto, há várias possibilidades de negócio. Muzzi vende, por exemplo, apenas o quadro, para quem quiser comprá-lo e montar uma bicicleta com configuração própria ou reaproveitar os itens de uma antiga. Nesse caso, a peça custa R$ 250. Por enquanto, a novidade só está disponível na cor preta com aro tamanho 26. O sucesso é tanto que os interessados têm de entrar numa fila de espera que já conta com três mil pessoas, o que obriga os ciclistas a esperar mais de um mês para ter a sua bike ecologicamente correta em casa.

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