Tecnologia & Meio ambiente

11 perguntas que os cientistas (ainda) não conseguem responder – Parte 5

Tudo sobre misteriosos fenômenos, como a cura pela fé, o fim do mundo e a premonição, que ainda desafiam o conhecimento humano

8. O que define nossa sexualidade?

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“Nasci gay”, afirma o estilista Isaac Ludovic, 22 anos. Ele se lembra de sua infância em Barreiras, interior da Bahia, e diz que já naquela fase era convicto de que pertencia ao universo feminino. “Minha diversão era me vestir de menina e brincar com bonecas.” Mas para o namorado de Isaac – que prefere não se identificar a história foi diferente. Já haviam se passado a infância e a adolescência quando ele descobriu que era homossexual.

O caso de Isaac se encaixa perfeitamente na explicação da pesquisadora e neurocientista Suzana Herculano- Houzel sobre o assunto: “O interesse sexual é definido biologicamente no início da gestação e não há nada que se possa fazer.” Mudanças hormonais, doenças, medicamentos e até herança genética podem alterar a maneira como o hipotálamo do bebê parte do cérebro responsável pelo comportamento sexual, entre outras funções responde a estímulos.

Mas o que explica o caso do namorado de Isaac, que pensava ser heterossexual até os 22 anos? Para o psicólogo Oswaldo Rodrigues Júnior, do Instituto Paulista de Sexualidade, o indivíduo não nasce com a sexualidade definida e pode mudar de orientação: “Isso mostra por que muitas pessoas passam por fases assexuadas ou se tornam homo ou bissexuais.”

A neurocientista Suzana ressalta que nascer com a sexualidade definida não garante que o indivíduo aceitará a si próprio e assumirá sua inclinação. “O importante é saber que a preferência sexual vem com a criança, como a cor dos olhos, e não deve haver discriminação.” Já o psicólogo australiano Allan Pease, autor de best sellers como “Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor?”, é radical: “A sexualidade não só é definida no útero como também é imutável.”

9. A fé pode curar?

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Existem milagres? Uma pessoa pode ser curada simplesmente pela força de sua fé? É muito provável que essas perguntas nunca sejam respondidas. Pelo menos, não de uma forma que agrade a religiosos e cientistas. Mas uma coisa já é consenso entre estudiosos: a fé pode, sim, auxiliar na recuperação de um doente. É o que comprova o trabalho do pesquisador americano Herbert Benson, do Instituto Mente-Corpo da Universidade de Harvard (EUA).

enson estuda a influência da crença há mais de 35 anos. Em uma de suas obras, “Medicina Espiritual”, ele afirma que a fé e a meditação melhoram a saúde. Segundo Benson, manter a mente calma e relaxada como ocorre quando uma pessoa ora ou medita – pode combater problemas como hipertensão, tensão pré-menstrual, insônia e até infertilidade. E ainda alivia os efeitos de doenças crônicas.

Mas não estamos diante de uma prova cabal de que a fé seja sinônimo de alta hospitalar. Os estudos apenas comprovaram que a devoção ativa partes do cérebro que causam bem-estar, dão mais esperança e positivismo ao paciente e deixam o enfermo relaxado fatores que auxiliam na recuperação. O próprio pesquisador faz questão de destacar que a fé deve ser uma aliada dos medicamentos e tratamentos convencionais. Rodolfo Puttini, doutor em saúde coletiva pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), compartilha dessa tese.

“A espiritualidade é formada por valores que ajudam na cura”, diz ele. Já o neurocientista Alfredo Pereira Júnior, falando sobre o que chama de “recuperação do corpo pelo próprio corpo”, ressalta que, “quando a mente se envolve no processo da cura por meio da fé, ela ativa mecanismos fisiológicos que influenciam o corpo, auxiliando. Mas isso não quer dizer que a fé possa curar alguém”.

Parte 6