Tecnologia & Meio ambiente

11 perguntas que os cientistas (ainda) não conseguem responder – Parte 4

Tudo sobre misteriosos fenômenos, como a cura pela fé, o fim do mundo e a premonição, que ainda desafiam o conhecimento humano

6. É possível viajar no tempo?

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“Nunca penso no futuro. Ele chega rápido demais.” Quando disse a frase, o físico alemão Albert Einstein provavelmente não fazia uma alusão à possibilidade de viajar no tempo. No entanto, todas as hipóteses formuladas atualmente sobre o tema sustentam-se na Teoria da Relatividade, formulada por ele em 1905. Segundo tal teoria, o tempo passa mais devagar à medida que um objeto se aproxima da velocidade da luz (cerca de 300 mil km/s).

Einstein mostrou que relógios em movimento contam o tempo mais vagarosamente. “Isso significa que, se passarmos um ano viajando pelo espaço a uma velocidade muito próxima à da luz, quando voltarmos à Terra terão se passado 100 anos aqui”, diz o astrofísico Richard Gott, da Universidade de Princeton, nos EUA. “De certa forma, poderíamos visitar o futuro.” Se viajar ao amanhã é algo fisicamente factível, a volta no tempo é mais complicada. Para isso, seria preciso superar a velocidade da luz. “A viagem para o passado não existe.

A ideia viola o princípio da causalidade, que entende que toda série de eventos depende de uma ordem de causa e consequência”, diz o astrofísico Marcelo Gleiser. Esse é o princípio do “paradoxo do avô”, que levanta a questão: o que aconteceria se uma pessoa voltasse ao passado e matasse o próprio avô, impedindo, assim, o nascimento do pai e, portanto, seu próprio nascimento?

Como essa pessoa poderia ter assassinado o avô, se ela nem chegou a nascer? Tais ponderações são apaixonantes. Mas a possibilidade de viajarmos no tempo ainda está longe. “Um dos problemas práticos é a tecnologia. Não temos como construir um foguete ou uma espaçonave para isso”, diz Gleiser. “São projetos que só supercivilizações poderão tentar”, completa Gott.

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7.Existe premonição?

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Quando o analista de sistemas Rodolfo Rossi, 24 anos, partiu de São Paulo para Santa Catarina, num ônibus de excursão, sua mãe – a dona de casa Divina Andrade, 54 anos – sentiu um aperto no coração, uma sensação pesada, como se algo de ruim estivesse para acontecer ao filho.

“Nunca havia sentido nada parecido”, ela lembra. Para o psicoterapeuta Ascânio Jatobá, especialista no estudo de sonhos, Divina estava tendo uma premonição: “A mãe é ligada de maneira inconsciente ao filho. E é muito natural ter intuições enquanto a cria está distante.” Os cientistas, obviamente, não acreditam em avisos vindos do além ou coisas do gênero e explicam o sentimento da mãe de Rodolfo de uma forma mais racional.

“O nosso cérebro tenta ver o futuro o tempo todo. Em situações de conflito e stress, calculamos as probabilidades de algo ruim acontecer”, diz a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. “Com base em conhecimentos e experiências armazenados na memória, temos projeções do que pode vir a se concretizar”, acrescenta o neurologista Gilberto Fernando Xavier.

O responsável por essa proeza é o córtex cingulado anterior, uma porção do cérebro que analisa todas as probabilidades e projeta previsões. A partir disso, o indivíduo dá mais atenção ao assunto e tem sensações que se apresentam na forma de stress diante do futuro. Contrariando as leis da ciência, Jatobá afirma que a premonição, na verdade, “é um conteúdo inconsciente que invade a consciência por meio de sonhos ou intuições”. E, claro, só é possível confirmar se o pressentimento tinha fundamento depois que o fato acontece – ou não.
Até que algo se concretize, a dúvida é inerente ao “premonitor”. No caso da dona de casa Divina, sua intuição funcionou. Durante a viagem do filho, houve uma ação da polícia contra brigas localizadas e o rapaz, mesmo sem estar envolvido na confusão, acabou sendo ferido por uma bala de borracha. “Creio que tive uma premonição”, diz a mãe.

Parte 5