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Brasília, a bola da vez

Como capital, a cidade merece representar o Brasil e abrir a Copa de 2014

Quem manda na Copa? O Brasil ou a Fifa? No seu périplo europeu, a presidente Dilma Rousseff encarou Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, e, ao que tudo indica, sinalizou que o Brasil poderá ceder em alguns pontos exigidos pela Fifa, mas não em todos – uma questão de honra, para o governo, é a garantia de meia-entrada para maiores de 60 anos, prevista no Estatuto do Idoso. Passada a bola dividida, nada indica que, a esta altura do campeonato, a Fifa terá peito de transferir a sede do Mundial de 2014 para outro país, como tem feito vazar em ameaças veladas na imprensa – o que se comentava, por exemplo, é que tanto Estados Unidos como Alemanha estariam de sobreaviso. E ainda que uma mudança tenha acontecido em 1986, quando a Colômbia perdeu o direito de sediar um Mundial para o México, o Brasil ficou grande demais para ser pressionado. É bem maior do que a Fifa e seus cartolas.

Dito isso, dentro de uma semana, a Copa de 2014, de fato, começará no Brasil. No sábado 22, a Fifa deverá anunciar a cidade que sediará o jogo de abertura, partida que será assistida por bilhões de pessoas. É a primeira grande batalha do Mundial. Quatro cidades – Brasília, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte – estão no páreo, mas o Brasil deveria ter entrado nesse jogo com a decisão já tomada. Uma vez que a grande final, por todo o simbolismo do Mara­canã, será no Rio de Janeiro, a abertura teria que ser reservada para uma única cidade: Brasília.

Sim, embora não tenha relevância no futebol brasileiro, é a capital que, para o bem e para o mal, representa o País. Além disso, das quatro cidades, Brasília é a única que, de fato, fez seu dever de casa. Enquanto o Mineirão enfrenta greves constantes e o Itaquerão e a Fonte Nova mal saíram do papel, o Mané Garrincha é a arena brasileira em estágio mais avançado de construção. Some-se a isso o fato de Brasília ser a concorrente com melhores condições de mobilidade urbana e também a sede das representações diplomáticas – o que deveria pesar num evento que, em geral, atrai chefes de Estado do mundo inteiro.

Escolhas estratégicas, num evento como uma Copa do Mundo, devem ser pensadas de acordo com o interesse nacional. E se o Brasil pretende projetar uma bela imagem na largada da Copa, deveria escolher a cidade sonhada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que, mal ou bem, é a mais organizada e a que melhor se preparou para o pontapé inicial. 


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