Cultura

Robôs no ringue

Produzido por Steven Spielberg, o filme "Gigantes de Aço" promove uma incrível luta entre androides pesos-pesados e lidera as bilheterias

Robôs no ringue

Assista ao trailer :

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MAQUINADOS
Controlado por Charlie Kenton (Hugh Jackman, à dir.), o robô de
ferro-velho Atom faz a luta do século contra o temido e imbatível Zeus

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Um dos gêneros mais rentáveis do cinema, a ficção científica corre o risco de perder uma grande parcela de fantasia com o uso cada vez maior de robôs no nosso cotidiano. Se depender do mago Steven Spielberg, contudo, essas máquinas capazes de competir com o ser humano em diferentes atividades têm vida longa nas telas, como prova a sua mais nova superprodução, “Gigantes de Aço”, em cartaz no País na sexta-feira 21. No eletrizante filme dirigido por Shawn Levy, da série “Uma Noite no Museu”, esses autômatos não são policiais ou guerreiros do futuro, como em enredos anteriores, mas autênticos pesos-pesados do boxe. É que no ano de 2020 em que se passa a ação, esse esporte não é mais praticado por homens que suam e se preparam em longas horas de treinamento: os lutadores de carne e osso deram lugar a seres metálicos e o maior entretenimento da Terra é ver robôs gigantescos se digladiar em espetáculos violentos até que apenas um deles se mantenha de pé no ringue. A ideia, percebe-se logo, é misturar clássicos do boxe como “Rocky – O Lutador” e “O Campeão” com sucessos da ficção científica ao estilo de “Transformers” e “Exterminador do Futuro”. Sem esquecer do elemento humano, claro. À frente da trama está o ex-boxeador e treinador dos androides Charlie Kenton, interpretado pelo musculoso Hugh Jackman, o Wolverine do cinema. A julgar pelo primeiro fim de semana de exibição nos EUA, o plano deu certo. Com um faturamento de US$ 27,3 milhões, o blockbuster desbancou George Clooney e seu drama político “Tudo pelo Poder” e estacionou no primeiro lugar nas bilheterias.

Para trazer os lutadores metálicos à vida e superar em realismo antecessores como a citada franquia “Transformers”, os produtores consumiram US$ 110 milhões em efeitos especiais que incluem animação, computação gráfica e tecnologia de captura de performance – essa técnica, em que atores reais fazem os movimentos que mais tarde são processados em computadores, foi usada para criar os fantásticos combates entre robôs. Além das técnicas digitais de ponta, bonecos em tamanho real aparecem em cena. Nessas sequências, foram necessários cerca de 20 manipuladores. Todas as coreografias de golpes e contragolpes tiveram a supervisão de uma lenda do pugilismo, o boxeador americano Sugar Ray Leonard. O ex-atleta é amigo do CEO da DreamWorks, Stacey Snider, e foi convidado por ele para ajudar Hugh Jackman com seu personagem e dar aos replicantes suas características próprias de luta. Para deleite dos amantes do esporte e dos filmes de “Rocky”, uma cena-chave reproduz o embate entre Rocky Balboa (Sylvester Stallone) e Ivan Drago (Dolph Lundgren) que acontece no quarto título da série.

Nem tudo, porém, é efeito nas duas ­horas e pouco de intenso espetáculo. ­Ex-lutador que tenta ganhar a vida comandando robôs-pugilistas em lutas amadoras, o Charlie Kenton de Hugh Jackman é realmente hábil em colecionar dívidas e inimigos por onde passa. Sua sorte muda quando ele descobre que a ex-mulher, mãe de seu filho Max (Dakota Goyo), de 11 anos, morreu e ele deve decidir sobre a custódia do menino. Kenton cede à pressão de um casal que pretende adotar o garoto por US$ 100 mil, mas com a condição de que passariam dois meses juntos. É quando o “coração de metal” do treinador começa a amolecer e sua versão paterna aflora. Respaldados pela bela Bailey Tallet (Evangeline Lilly), que trabalha no mesmo ramo de Kenton, pai e filho decidem entrar no circuito de lutas da moda. O sucesso começa a acontecer quando o menino encontra em um ferro-velho o rejeitado Atom, um androide obsoleto, mas muito resistente por ter sido criado para preparar os seus semelhantes. Na mesma medida, a relação familiar passa a se recompor. Quando os robôs estão desligados, a dupla Jackman e Dakota desfere seus ganchos e jabs existenciais para arrancar risos da plateia. É o lado Spielberg em ação, que, mesmo longe do set, palpita bastante nos enredos em que aplica os seus milhões.  

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