Comportamento

O brasileiro que apita no mundo do tênis

Carlos Bernardes é um craque da arbitragem no circuito internacional do esporte dominado por americanos e europeus

O brasileiro que apita no mundo do tênis

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Estão longe os dias em que era preciso pular o muro de um clube de São Caetano do Sul, no ABC paulista, para jogar tênis com os amigos nos fins de semana. Atualmente nos principais torneios do circuito profissional, o brasileiro Carlos Bernardes, 48 anos, entra pela porta da frente. Ele virou referência em termos de arbitragem de qualidade. Cinco anos atrás, tornou-se o primeiro sul-americano a apitar uma final do Aberto dos Estados Unidos, um dos chamados Grand Slam, os quatro torneios mais importantes de tênis. Em julho, repetiu o feito ao ser juiz de cadeira – o primeiro entre os 12 que atuam em uma partida – na final de Wimbledon, Inglaterra, tradicional competição disputada em piso de grama, quando o sérvio Novak Djokovic venceu o espanhol Rafael Nadal. “Assistia a esses jogos na televisão quando era garoto. Depois de muitos anos, eu me vejo não só arbitrando, mas fazendo a final da edição de número 125. Não dá para explicar, é uma satisfação total”, diz o paulista, que é fluente em três idiomas e mora desde o final do ano passado em Bergamo, na Itália.

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EM AÇÃO
Bernardes com o russo Igor Andreev: torneios de ponta

Filho de um bombeiro, Bernardes iniciou sua carreira no tênis aos 15 anos, após a morte do pai, como professor num clube de São Caetano do Sul. Pouco depois, já apitava em campeonatos profissionais. Largou a raquete e um curso de engenharia mecânica, formou-se em educação física e optou por se dedicar com mais afinco ao complicado mundo da arbitragem. O diretor da Confederação Brasileira de Tênis, Ricardo Reis, aponta que Bernardes seguiu os passos de Paulo Pereira, o primeiro entre os brasileiros a ter destaque no ramo. Quando não está na cadeira de juiz, Bernardes costuma avaliar o trabalho de colegas ainda inexperientes em partidas do circuito internacional. “Ele anda entre os administradores, os jogadores e outros colegas e não tem quem não o cumprimente e o respeite”, diz Arnaldo Grizzo, editor-chefe da revista “Tênis Brasil”. Um vencedor negro em um esporte dominado por brancos, Bernardes assevera nunca ter sofrido preconceito. “Não tive de enfrentar esses momentos que devem ser desagradáveis. Mas acho que, se algum dia isso acontecer, saberei como enfrentar”, afirma.

Juízes e tenistas costumam ficar hospedados nos mesmos hotéis durante as competições. A convivência é muito mais amistosa do que em outros esportes de alto nível, a exemplo do futebol. Ao arbitrar a última partida de Gustavo Kuerten, o Guga, no Brasil, em fevereiro de 2008, Bernardes se emocionou. “Foi muito bacana acompanhar um brasileiro evoluir junto comigo no circuito profissional. Meus melhores anos coincidiram com a ascensão dele”, diz Guga. Assim como o amigo, Bernardes quer realizar o sonho de participar do charmoso Roland Garros, o Aberto da França. Competência para isso ele já deu mostras de que tem. 

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