Comportamento

O recomeço de Cacciola

Ex-banqueiro condenado por lesar os cofres públicos ganha a liberdade, retoma a vida confortável e investe no setor de construção civil

O recomeço de Cacciola

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DOLCE VITA
Cacciola sai da prisão na quinta-feira 25: de volta à boa rotina

Depois de quase quatro anos trancafiado na prisão, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, 67 anos, voltou para a vida confortável a que estava acostumado. Pivô do escândalo do Banco Marka, ocorrido em 1999, que gerou R$ 1,5 bilhão de prejuízo para o Banco Central, o ítalo-brasileiro recuperou seu DNA de bon vivant. Poderá usufruir novamente do espaçoso apartamento de 800 m² no conjunto Golden Green, na Barra da Tijuca, cujo condomínio é de R$ 12 mil, ou do igualmente sofisticado edifício de sua namorada, a advogada Mirela Hermes, que mora no mesmo bairro. O ex-presidiário ganhou liberdade condicional e deixou a penitenciária no Complexo de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, por volta das 17h30 da quinta-feira 25, vestindo jeans, camiseta branca e ostentando uma barriga mais protuberante do que quando entrou. Cacciola embarcou num Ford Fiesta e deixou para trás os milicianos com quem dividia a cela. Poderá praticar golfe em seu condomínio e fazer seu jogging matinal. Por incrível que pareça, tem condições até mesmo de trabalhar no Marka, que não é mais banco e se transformou em incorporadora.

O ex-banqueiro terá que se apresentar à Justiça durante quase cinco anos a cada três meses e não poderá deixar o Estado sem autorização da Vara de Execuções Penais (VEP). O Ministério Público Estadual foi contrário à condicional, mas a juíza Natascha Maculan Dazzi levou em consideração o bom comportamento de Cacciola na prisão e o fato de ele já ter cumprido um terço da pena, reduzida em julho deste ano pela mesma VEP. “A pena não poderia ter sido reduzida, pois ainda há recurso a ser julgado nos tribunais em Brasília”, argumentou o promotor Fabiano Rangel. O futuro do ex-banqueiro depende, ainda, da disposição do principado de Mônaco, onde ele foi preso pela Interpol em 2007. O governo do país reluta em estender a extradição para dois processos criminais em que ele é réu na Justiça Federal do Rio. Nada impede, no entanto, que o ítalo-brasileiro volte a desfilar de helicóptero ou de passear de barco em Angra dos Reis, como nos velhos tempos.

Cacciola foi condenado por causa de operações no mercado de câmbio que geraram prejuízo para o Banco Central, em valores atuais, calculados em R$ 3 bilhões. Apesar de estar impedido pelo BC de atuar em instituição financeira, ele já traça planos. Sua empresa mudou de atividade social, e ele poderá trabalhar na construção civil. O ex-banqueiro também é herdeiro de uma fábrica e rede de lojas de móveis de alto padrão no Rio. O Ministério Público Federal investiga a possibilidade de Cacciola ter enviado recursos para o Exterior antes de ter os bens bloqueados no País. Sinais de riqueza não faltaram no período em que viveu foragido na Itália, onde chegou até a alugar um castelo. “O apartamento dele está fechado, mas o condomínio está em dia”, comentou um morador do Golden Green, que não quis se identificar.

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