Comportamento

Que baladeiro é você?

Estudo inédito identifica os tipos festeiros que povoam a noite e movimentam um mercado de bilhões de reais

Que baladeiro é você?

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Não é difícil encontrar gente – jovens, em sua maioria – que chega ao trabalho na segunda-feira pela manhã já arquitetando a balada do próximo fim de semana. Os números em torno do setor são prova do quanto esse mercado está fervilhante. Somente na capital paulista, a noite movimenta anualmente R$ 2,4 bilhões e, estima-se, registra um evento a cada seis minutos (90 mil por ano). A cidade de São Paulo, por sinal, será palco em setembro da segunda edição da Expoparty, uma feira internacional voltada para profissionais de entretenimentos como festas, shows e casas noturnas. Esse tipo de consumidor, que acende cada vez mais luzes dessa lucrativa engrenagem, foi investigado, recentemente, por dois pesquisadores, Karlan Muniz e Wesley Vieira da Silva, do programa de doutorado em administração da Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Paraná. A pesquisa, feita com 690 pessoas (81% entre 18 e 30 anos) que saem pelo menos uma vez por mês e será apresentada no Rio de Janeiro durante o 25º encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, no mês que vem, quis saber o que o público procura quando vai para a balada. Dessa curiosidade nasceu a cereja do ainda inédito estudo: a identificação de perfis dos baladeiros (leia abaixo).

Das cinco categorias (boêmios, caçadores, notáveis, fugitivos e espectadores), a primeira é a que mais possui representantes (26,8% dos entrevistados). Pessoas desse grupo têm o hábito de sair para beber entre amigos e não estão atrás de um romance prioritariamente. São os menos fiéis à balada – só 33% repetem o local do evento – e os mais maduros – 75% têm mais de 25 anos. E é onde se encontra a maioria dos homens: 40,2%. Um retrato desse personagem poderia ser um homem maduro com uma bebida em punho que, tranquilo, observa a movimentação enquanto toma um drinque.

As mulheres baladeiras, por sua vez, encontram-se, em sua maioria, na categoria dos notáveis (29,8%). Para esse segmento, a festa é uma alternativa para mudar de ares e rotina. Caprichar no visual, dançar na pista e procurar um romance no meio da multidão são características marcantes dessa categoria. Resumindo, a notável tem roupa e maquiagem provocantes. Seus gestos são esfuziantes para que olhares e flashes sejam atraídos. “Os tipos encontrados refletem interesses diferentes dentro de uma mesma festa”, afirma o pesquisador Muniz. Trazendo a comparação para a realidade do estudo, podemos dizer que os boêmios podem ficar incomodados com uma festa que nitidamente está cheia de caçadores e notáveis, se a situação não for bem gerenciada.

Especialista em marketing pelo Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getulio Vargas, Muniz também identificou quais itens (perfil da festa, agilidade do serviço, banheiros, animação do grupo, preço e conforto) têm impacto sobre a satisfação do consumidor desse tipo de lazer. Entre suas descobertas, os homens valorizam o barman e a agilidade do serviço. As mulheres, por sua vez, são capazes de deixar uma casa noturna se o banheiro não estiver limpo. Curioso, segundo o pesquisador, é o fato de que, apesar do impacto que as características específicas da festa geram na avaliação do consumidor, a animação dele e da turma à sua volta o deixa mais satisfeito do que o preço. Ou seja, o alto valor de um programa é aceitável dependendo do estado de espírito do baladeiro. “Uma discussão de casal antes de uma festa pode resultar na queda da satisfação, por exemplo. E é algo que, a princípio, uma casa noturna não tem como controlar”, afirma Muniz. Beber, paquerar e curtir a música costumam agitar o público. O rei da balada, porém, está dentro de cada um, já que questões de fundo emocional parecem ser também o energético da noitada.

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