Comportamento

Por que eles (e outros craques) estão no Brasil

Vender jogador não é mais o grande negócio do futebol. Câmbio favorável, estratégias comerciais e dinheiro de transmissão de jogos têm segurado as estrelas no Brasil

Por que eles (e outros craques) estão no Brasil

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ESPETÁCULO
Neymar e Ronaldinho Gaúcho: novo momento
do futebol permite que eles deem show no País

Soaria desastrosa, alguns anos atrás, a notícia de que os clubes de futebol do Brasil faturam cada vez menos com a venda de jogadores. No ano passado, esse tipo de receita registrou um decréscimo de 46% em relação a 2007 e caiu da segunda colocação, em 2009, para a terceira no ranking das principais fontes de renda de oito grandes times do País, segundo um estudo sobre a indústria do esporte feito pela empresa de auditoria BDO RCS (leia quadro). Apesar de os craques não serem mais a galinha dos ovos de ouro das agremiações, o faturamento total das equipes cresceu 13,4% em um ano, chegando a R$ 2,1 bilhões em 2010. Isso acontece porque a crise econômica de 2008 inverteu a lógica do mercado e vender jogador não é mais o grande negócio. A renda das emissoras de tevê e as receitas comerciais conduzem o esporte no País. “O futebol vive hoje sua terceira onda”, diz João Paulo de Jesus Lopes, diretor de futebol do São Paulo.

Até os anos 80, a arrecadação dos clubes dependia da bilheteria. Na década seguinte, o mercado europeu se transformou em um consumidor voraz de craques brasileiros. Faz três anos, porém, que a saúde financeira de clubes italianos e espanhóis não é mais a mesma. Foi aí que economistas e marqueteiros entraram em campo. “O Corinthians descobriu o peso do marketing para fazer dinheiro”, diz Paulo Calçade, comentarista da ESPN. A contratação de Ronaldo Fenômeno, em 2008, rendeu R$ 20 milhões por ano ao clube de licenciamentos e patrocínios – e as transferências, R$ 35 milhões.

“Devolvemos a sensação de felicidade à torcida. Esse foi nosso grande negócio”, diz Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians. Já o São Paulo, somente com o aluguel de seu estádio para shows, amealhou R$ 17 milhões em 2010 (e R$ 29,8 milhões com a venda de jogadores). O Internacional, de Porto Alegre, apostou no sócio-torcedor, recurso que oferece facilidades na compra de ingressos. Com 106 mil associados, o sexto maior montante do mundo, os gaúchos levantaram R$ 37 milhões em 2009 (e R$ 60,5 milhões negociando atletas).

Estratégias como essas permitiram que o Santos resistisse ao assédio do time inglês Chelsea sobre Neymar. Lançando mão de patrocinadores e licenciamentos, o clube segurou o jogador oferecendo rendimentos de nível internacional. “Com o atual câmbio também não interessa vender o atleta a qualquer preço”, diz Amir Somoggi, diretor da BDO RCS. “Hoje, há um fluxo contrário que tem feito os craques retornarem ao Brasil e possibilita a importação de mais estrangeiros.” Movimento que permite a contratação de estrelas como Ronaldinho Gaúcho, ex-Milan (ITA), pelo Flamengo, e espetáculos como o Santos 4 x 5 Flamengo na quarta-feira 27.  

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