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O Cofre de Kassab

Preocupado com seu futuro político, o prefeito de São Paulo deixa de investir mais de R$ 7 bilhões, dinheiro que só deverá ser revertido para a cidade às vésperas das eleições

O Cofre de Kassab

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O economista Gilberto Kassab diz que administra São Paulo como se a cidade fosse uma grande empresa. Nesse aspecto, os números mostram que ele tem motivos para se orgulhar. A capital paulista possui R$ 7,66 bilhões investidos em diversos tipos de aplicações. Para efeito de comparação, o montante é duas vezes superior ao que a montadora General Motors vai desembolsar no Brasil em 2011. Até aí, tudo bem. O problema é que Kassab é um gestor público. Sob essa ótica, a dinheirama guardada a sete chaves poderia ter fins mais nobres, como as áreas de saúde, educação e transporte. Um dado interessante: os R$ 7,66 bilhões são suficientes para a construção de mais de 70 hospitais com 240 leitos. Se há recursos disponíveis, por que não utilizá-los agora? “Nunca vi alguém deixar tanto dinheiro em caixa para o sucessor”, diz Mônica Pinhanez, professora da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. “Provavelmente ele vai utilizar os valores em sua gestão. Isso faz parte de uma estratégia.”

Em 2012, Kassab se prepara para fazer seu sucessor na eleição municipal e, ao que parece, vai adotar a velha tática de despejar recursos às vésperas do pleito – leia-se maior visibilidade e dividendos nas urnas. Além de encerrar seu mandato, no ano que vem o prefeito paulistano pretende estrear na disputa eleitoral o PSD (Partido Social Democrático), sigla que até agora não emplacou. Kassab terá de correr contra o tempo. No primeiro semestre de 2009, o prefeito apresentou, conforme lei municipal, um plano de governo com 223 metas que devem ser postas em prática até o final do seu mandato. Intitulada Agenda 2012, a iniciativa se baseia em práticas de gestão da iniciativa privada. Faltando três semestres para deixar o cargo, apenas 31 delas estão concluídas. “Se a cidade fosse uma empresa, o prefeito correria sério risco de perder o emprego por inoperância administrativa”, diz Oded Grajew, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo. Por meio de nota, a prefeitura nega a sobra de recursos e afirma que o caixa atual é necessário para cobrir compromissos existentes.  

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