Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Pede o boné, Jobim

O ministro da Defesa tem sido indelicado com espantosa frequência. Já é hora de sair

No finalzinho de 2002, o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou o empresário Luiz Fernando Furlan, da Sadia, para uma conversa reservada. Lula queria um nome representativo do PIB para o Ministério do Desenvolvimento. “Olha, presidente, só tem um problema”, disse Furlan. “Eu votei no Serra.” E Lula, de imediato, rebateu dizendo que não havia problema algum, uma vez que ele fora eleito para governar para todos os brasileiros – e não apenas para seus eleitores.

Nesta semana, uma história parecida surgiu com dois novos personagens: a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, Jobim disse que, nas últimas eleições presidenciais, de 2010, também votou no tucano José Serra. Apenas mais uma entre várias indelicadezas em série que vêm sendo cometidas por Jobim.

Os casos do passado e de hoje são parecidos, mas têm diferenças também significativas. Ao contrário de Furlan, o ministro da Defesa não estava fora do governo, recebendo um convite para passar a integrá-lo. Estava dentro. Jobim já vinha como herança do governo Lula e, portanto, fez parte do mesmo projeto que elegeu Dilma. E se ele, no processo eleitoral, avaliou que o adversário era melhor, deveria ter tido a dignidade de colocar o cargo à disposição.

Naturalmente, o PT reagiu, pedindo sua cabeça. Segundo o secretário de Comunicação, André Vargas, o ministro se considera a última Coca-Cola do deserto – o que deve ser verdade nos delírios de grandeza de Jobim, inflados pelos quase dois metros de altura.

No fundo, o grande pecado do ministro da Defesa é a soberba. Anos atrás, quando era ministro do Supremo Tribunal Federal, devendo zelar pelo respeito às leis, ele concedeu outra entrevista polêmica na qual confessou ter contrabandeado artigos para a Constituição Brasileira que não haviam sido votados pelos parlamentares. Detalhe: Jobim também havia sido o relator da Constituinte.

O que será que ele ganha com essas pequenas travessuras? Será que pensa que mostra coragem, independência? Ou, repetindo uma citação de Nelson Rodrigues, usada pelo próprio ministro no início desta nova crise, será que os idiotas perderam de vez a modéstia? 


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