Cultura

Melancólico apocalipse

O diretor Lars von Trier deixa de lado suas críticas ao estilo de vida americano e mergulha na alma humana em "Melancolia"

Melancólico apocalipse

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A atriz Kirsten Dunst interpretando Justine: ela é o alter ego de Von Trier

Depois de tratar de assuntos polêmicos na inacabada trilogia ironicamente intitulada “EUA, a Terra das Oportunidades”, que incluiu os filmes “Dogville” e “Manderlay”, o cineasta dinamarquês Lars von Trier resolveu falar sobre a complexidade da natureza humana em seu novo longa-metragem “Melancolia”, com estreia prevista no Brasil para a sexta-feira 5.

Aplaudido de pé e agraciado com a Palma de Ouro de melhor atriz para Kirsten Dunst no último Festival de Cinema de Cannes, o filme é dividido em dois momentos e foca a relação das irmãs Justine (Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg) que passam a refletir sobre os rumos de suas vidas ao saberem que um estranho planeta pode se chocar contra a Terra a qualquer momento.

Enquanto o fim do mundo se aproxima, as personagens trocam de papel e Justine, a confusa, vai ganhando um ar de serenidade, enquanto Claire, a organizada, perde a cabeça aos poucos. O mesmo acontece com os seus respectivos maridos, Michael (Alexander Skarsgard) e John (Kiefer Sutherland).

“Melancolia” não é tão pesado quanto o trabalho anterior de Trier, “Anticristo”, mas não deixa de causar desconforto com suas situações constrangedoras em família – o discurso em pleno casamento feito pela pessimista tia Gaby (Charlotte Rampling) no qual ela diz que “a união do casal não daria certo” é um bom exemplo.

Outra mudança de estilo promovida pelo diretor foi ter deixado de lado a escuridão monocromática de seus trabalhos recentes. Optou pelo contrário. Usando como locação uma espécie de château com um vasto gramado onde se passa o casamento de Justine e Michael, o diretor contrasta o verde do campo aberto com a iluminação controlada de um estúdio de filmagens, conferindo densidade às cores em cena.Von Trier chegou a declarar que Justine, que sofre de depressão, seria seu alter ego. Polêmico, não bastou ser expulso de Cannes por comentários a favor do nazismo: ele agora anda prometendo que seu próximo filme será do gênero pornográfico para “se cercar de gente descomplicada”.  

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