Cultura

Do palco para as telas

A adaptação de peças de teatro de grande sucesso é o novo filão do cinema brasileiro

Do palco para as telas

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ENTRE DOIS AMORES
Cleo Pires em “Qualquer Gato Vira-Lata”: dor de cotovelo se cura com nova paixão

Em tempos de pirataria e avanço da internet, mesmo o cinema se vê ameaçado. Uma das saídas para garantir público tem sido levar para as telas peças que fizeram sucesso nos palcos. O raciocínio é simples: se a história agradou ao público frequentador de teatros, pode-se torná-la ainda mais sedutora com os recursos cinematográficos. O exemplo mais recente é “Qualquer Gato Vira-Lata”, baseado em peça de Juca de Oliveira (estreia na sexta-feira 10), que, além de ter sido testada e aprovada pelos apreciadores de uma boa comédia (ficou dez anos em cartaz), tem como trunfo a presença da atriz Cleo Pires em seu primeiro papel de protagonista.

Cleo interpreta a estudante de direito Tati, que se envolve com o professor de biologia Conrado (Malvino Salvador), após ser esnobada pelo namorado Marcelo (Dudu Azevedo). O texto é tão engraçado que ela teve de se patrulhar: “Se exagerasse um pouco mais ficaria parecida com o Jim Carrey”, afirma a atriz. Essa comicidade atrai os cineastas. Ingrid Guimarães, cujo grande sucesso teatral, “Cócegas”, está na fila para virar filme, tem uma explicação para a avalanche de transposições. “Os cineastas estão finalmente indo ao teatro”, afirma.

A atual corrida às peças de riso fácil já levou para as telas o arrasa-quarteirão do gênero, “Trair e Coçar, É Só Começar”, que ficou 25 anos em cartaz, mas mira também êxitos recentes. É o caso do monólogo “Minha Mãe É Uma Peça”, que cumpriu temporada de cinco anos. A expectativa do diretor Paulo Gustavo é que repita o desempenho de “Divã”, espetáculo com Lília Cabral que bateu recordes de público no cinema. “Só o fato de ter sido um sucesso nos palcos já gera curiosidade nas pessoas”, diz ele.

A adaptação pura e simples, contudo, é rejeitada por diretores como Sílvio Tendler, que vê um desafio embutido na suposta facilidade de se transpor de um veículo para outro. “Não existe fórmula sem risco”, afirma. Ele se encontra às voltas com a produção de “A Alma Imoral”, inspirada na peça de Clarice Niskier. Preferiu ir direto à fonte e readaptar o livro homônimo do rabino Nilton Bonder, que deu origem ao espetáculo. Da mesma opinião é a atriz e diretora Carla Camurati, responsável pela versão cinematográfica de “O Mistério de Irma Vap”. Ela reconhece que a migração não é simples, mas aponta exemplos em que os filmes valorizaram ainda mais os textos. “Toda Nudez Será Castigada” e “Perdoa-me Por Me Traíres” incluem-se nessa estratégia, que fez do autor Nelson Rodrigues o grande alvo no passado. 

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