Economia & Negócios

Atrás do voto brasileiro

Após se tornar credor do FMI, o Brasil entra na rota dos candidatos a suceder Dominique Strauss-Kahn na presidência do fundo

Atrás do voto brasileiro

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FAVORITA
Christine Lagarde, da França, deve ser eleita nova presidente do FMI

A eleição para o cargo máximo do Fundo Monetário Internacional tornou Brasília passagem obrigatória dos candidatos já lançados. Favorita dos países europeus, a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, foi a primeira a desembarcar em busca do aval da equipe econômica e do voto brasileiro. Christine esbanjou simpatia: “Estou muito feliz de estar no Brasil. Vim pela importância que o País tem. Não somente pelo tamanho do PIB, mas também pelo papel desempenhado no cenário internacional”. Almoçou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e, em sinal de amizade, garantiu que “adora a manga brasileira”. Depois, encontrou-se a portas fechadas com o presidente do BC, Alexandre Tombini. Seu concorrente, o presidente do Banco do México, Agustín Carstens, repetiu o roteiro na quarta-feira 1º. Carstens fez elogios rasgados à economia brasileira e aos seus condutores.

 

"O Brasil vai apoiar quem estiver comprometido com as mudanças no FMI"
Batista Jr., diretor-executivo do FMI pelo Brasil

O beija-mão de Mantega e Tombini tem razão de ser. No caso da francesa Christine, que deve ser eleita no dia 30, é importante que ela seja aprovada pelas economias emergentes, pois depois das mudanças no FMI os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) terão 15,47% do poder de voto. Isso permitirá ao bloco vetar qualquer empréstimo. Já o candidato mexicano, quase um azarão no páreo, tenta reverter a eleição quase certa da adversária europeia. Sua esperança está na participação ativa de Mantega nas discussões tanto do FMI quanto do G-20. O presidente do México, Felipe Calderón, entrou em campo e pediu o apoio do Brasil à candidatura de Carstens. A presidente Dilma Rousseff respondeu que “o Brasil aguardará a definição do quadro geral das candidaturas antes de se manifestar”. Quem votará, em nome do País, será o economista Paulo Nogueira Batista Jr., diretor-executivo do FMI pelo Brasil e mais oito economias da América Latina e Caribe. Mas Batista Jr. antecipa que “o candidato precisa estar comprometido com as mudanças no FMI e com as reformas para aumentar a representatividade dos emergentes”. O Brasil também cobra maior presença dos latinos na administração e no corpo técnico do Fundo.