Mundo

A crise do pepino

Surto infeccioso com potencial letal e foco na Alemanha se alastra por outros países e provoca até atrito diplomático

A crise do pepino

chamada.jpg 

As atividades nos campos da Espanha e Alemanha sofreram uma mudança radical na semana passada. Em vez da tradicional colheita de legumes e frutas desta época do ano, boa parte dos agricultores está destruindo as plantações, em particular as de pepino, alface e tomate. Com a medida, eles tentam eliminar possíveis fontes de um surto infeccioso provocado por uma nova variedade da bactéria Escherichia coli (E.coli), uma mutação altamente tóxica. Isolada pelos cientistas só depois que o surto havia provocado 18 mortes e contaminado mais de 1.500 pessoas, a propagação da bactéria com genes letais causou também tensão entre diferentes países.
O atrito mais agudo se instalou entre a Espanha e a Alemanha. Assim que o foco do surto foi detectado na cidade de Hamburgo, no norte alemão, autoridades locais colocaram sob suspeita pepinos importados da Espanha. O resultado de análises laboratoriais eliminou a possibilidade na terça-feira 24, mas o desmentido chegou tarde para os produtores espanhóis, que contabilizavam um prejuízo semanal de 200 milhões de euros. Dois dias depois, o presidente José Luis Rodríguez Zapatero avisou que seu país pedirá “explicações muito contundentes” e “reparações suficientes” pela maneira como as autoridades da Alemanha agiram no caso.

Nessa altura, a Rússia havia vetado a entrada de verduras vindas de qualquer ponto da União Europeia, de onde compra habitualmente mais de 40% das frutas e legumes consumidos no país. Como se não bastasse, o governo russo mandou “apreender” os produtos que haviam chegado ao país nos dias anteriores. “O que a Rússia está fazendo é desproporcional”, reclamou Frederic Vicent, porta-voz da Comissão de Saúde da União Europeia. Medidas similares, no entanto, começam a ser tomadas em outras partes do mundo. Os Emirados Árabes Unidos decretaram embargo provisório a importações de legumes de quatro países do bloco: Alemanha, Espanha, Dinamarca e Holanda.

Nos Estados Unidos, alimentos cultivados na Espanha e em outros países europeus estão sen­­do inspecionados pelo FDA, o órgão americano responsável pelo controle de alimentos e medicamentos. A medida não impediu o registro de dois casos de contaminação no país – americanos recém-chegados de Hamburgo, no norte da Alemanha. Na cidade alemã está o foco da doença, que tem perío­do de incubação de dez dias e se manifesta por distúrbios no aparelho digestivo e, em casos mais graves, por disfunções renais. Dos 18 casos de morte provocados pelo surto até a sexta-feira 3, 17 ocorreram na Alemanha. A outra vítima fatal, na Suécia, tinha acabado de voltar de uma viagem ao país.
 

img.jpg