Comportamento

Alarme contra assédio

Camareiras de hotéis de Nova York carregarão "botões de pânico" que poderão ser acionados em casos de ataques sexuais

Alarme contra assédio

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PRECAUÇÃO
Hotel The Pierre, em Nova York: arma contra escândalos

As camareiras dos hotéis de luxo The Pierre e Sofitel, em Nova York, passarão a usar “botões de pânico” contra abusos sexuais no ambiente de trabalho. O equipamento é semelhante aos adotados por idosos desacompanhados – ao ser acionado, ele emite um sinal eletrônico para uma central. A medida é uma resposta a dois casos recentes de abuso sexual envolvendo funcionárias desses hotéis que viraram manchetes em todo o mundo. A primeira alega ter sido atacada pelo ex-presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, 62 anos, no Sofitel, no dia 14 de maio. E a segunda afirma ter sido abusada pelo ex-diretor do Banco de Alexandria, o egípcio Mahmud Abdel Salam Omar, 74, no The Pierre, no domingo 29. Ambos foram afastados de suas funções e indiciados pelo crime.

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AGRESSORES
O banqueiro egípicio Omar (acima) e o ex-presidente do
FMI Strauss-Kahn (à dir. na foto): ataques a camareiras

Os hotéis acataram a recomendação da polícia que investiga o caso e exigem mais segurança para as funcionárias. O Conselho de Hotéis e Motéis de Nova York, espécie de sindicato dos funcionários da rede hoteleira na cidade, fez pressão para a implementação da medida. “Que todos os que viajam para Nova York saibam que aqui as camareiras carregam dispositivos sonoros que podem ser acionados imediatamente após a tentativa de algo estúpido”, declarou Peter Ward, presidente do conselho, que pretende negociar com 150 hotéis da cidade para que todos adotem o dispositivo até 2012.

A ideia é que as autoridades fiquem a par dos casos o mais rápido possível. Só assim poderão checar as denúncias e colher provas. Ao apertar o botão, o aparelho envia um sinal eletrônico para uma central dentro do estabelecimento, sem a necessidade do uso de fios. A partir daí, cabe aos funcionários socorrer a vítima e chamar a polícia. No caso do hotel The Pierre, a camareira de 44 anos que foi atacada contou imediatamente ao seu supervisor sobre a agressão. Mas ele só comunicou à polícia no dia seguinte. Omar foi formalmente acusado do crime de abuso sexual pela Justiça de Nova York, que estabeleceu fiança de US$ 25 mil, e o supervisor do The Pierre foi afastado de suas funções. Segundo Ward, os casos de estupros sofridos por camareiras nos hotéis são raros, mas os assédios, como cantadas, gracinhas e toques inapropriados, são relativamente comuns.