Cultura

As top models do rock

Modelos gravam discos e roqueiras desfilam para grandes grifes. A música e o mundo fashion nunca estiveram tão próximos

As top models do rock

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Palco e passarela sempre tiveram algo em comum. Mas nunca foram tão identificados como agora, quando modelos se tornam cantoras de sucesso e intérpretes belíssimas são cada vez mais solicitadas a desfilar nas concorridas fashion weeks mundo afora. Veja o caso da primeira-dama francesa, Carla Bruni, que antes de ser cantora era uma das top models mais bem pagas da França. Ao lançar o seu primeiro disco "Quelqu’un M’a Dit", há oito anos, madame Sarkozy já era uma veterana das passarelas e havia fotografado para grifes como Prada, Dior e Yves Saint Laurent, entre outras maisons. Foi nessa época que ela namorou os roqueiros Eric Clapton e Mick Jagger, o que, de certo modo, lhe serviu de empurrão no mundo da música. Depois de Carla, que negocia uma apresentação no Brasil, modelos como a inglesa Karen Elson, com um CD recém-lançado, e roqueiras como a americana Cat Power, que divulgou as joias da Chanel, mostram que podem fazer discos e shows tão bons quanto são seus desfiles para grandes marcas. Como disse à ISTOÉ a cantora fashionista britânica Anna Calvi, aclamada com o CD de estreia e figurinha carimbada em editoriais de moda: "Fazer música e pensar um estilo são duas formas de ­expressão semelhantes."

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Eleita diva do "kaiser da alta-costura", o estilista Karl Lagerfeld, da Chanel, Anna não sabe dizer se sua beleza ajuda na divulgação de suas canções. "Não conheço outro jeito de mostrar meu trabalho", diz a cantora. No momento, ela espera um convite formal do estilista e diz que não o recusaria: "Adoraria trabalhar com ele." Para a crítica de moda Lilian Pacce, essa aproximação é normal.

"O Lagerfeld é mestre nisso. Quando as pessoas nem conheciam o duo Vive La Fête, ele o colocou tocando num desfile e a cantora Els Pynoo virou a sua musa na época. Com a Lilly Allen aconteceu o mesmo", afirma Lilian.

A trajetória oposta também é comum, como prova a carreira de Karen Elson. Estrela de campanhas da Louis Vuitton, Dior e Burberry, entre outras grifes, ela ficou na 15a posição na lista das 20 modelos-ícones do site norte-americano models.com, referência mundial do mercado. Aos 31 anos, acaba de lançar o disco "The Ghost Who Walks", produzido pelo marido guitarrista, Jack White.

 

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Em tempos de pirataria generalizada, aparecer em anúncios de perfume ou editoriais de moda ajuda a fisgar novos fãs e não existe nada de condenável nisso. Madonna lançou mão da estratégia no passado e Stefani Germanotta chamava a atenção em desfiles antes de se tornar Lady Gaga. A contribuição contrária, segundo Lilian Pacce, também acontece: "A moda adora o rock. Ela costuma usar a imagem pop dessas meninas para se promover. Se a música é boa e a pessoa tem estilo, tudo se encaixa." Não foi por acaso que, nos idos anos 1970, David Bowie escreveu uma canção que se chamava justamente "Fashion".

 

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