Medicina & Bem-estar

As estratégias para nunca mais ser gordo

Está provado cientificamente que substituir uma das refeições por suplementos líquidos, afastar-se da televisão e pesar-se todos os dias são alguns dos segredos para manter a forma depois de emagrecer

As estratégias para nunca mais ser gordo

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AUTOCONTROLE
O jovem Luiz Filipe Galo, 21 anos, tem mãe quituteira. Ou seja, a tentação dentro de casa sempre foi grande. Luiz chegou a 98 quilos. Decidido a emagrecer, resolveu se controlar: comer menos e pedaços menores. Perdeu 20 quilos e está conseguindo manter o peso há três anos. “Também passei a gostar de fazer exercícios físicos”, conta.

Emagrecer o bastante para deixar de ser obeso é uma grande vitória. Mas não é o fim do combate. Para ganhar de verdade essa luta existe uma segunda batalha a ser vencida, igualmente difícil, que é evitar a recuperação do peso. “Pelas estatísticas atuais, apenas quatro em cada dez pessoas que emagrecem mantêm o peso certo um ano depois”, revela o psiquiatra Adriano Segal, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Agora, novos estudos começam a revelar as estratégias com chances reais de sucesso contra a volta ao peso anterior.

Nos Estados Unidos, há duas iniciativas importantes: uma mantém sob observação pessoas que emagreceram mais de 20 quilos e se conservam no peso certo cinco anos após a dieta e a outra acompanha indivíduos em processo de emagrecimento. A primeira é o National Weight Registry Control (NWCR), organização criada pelo pesquisador James Hill, da Universidade do Colorado. Este mês, Hill lançou um resumo de um estudo sobre os hábitos mais comuns entre essa população. Ele descobriu, por exemplo, que 98% não limitam a atividade física à academia ou clube. “Eles costumam andar na vizinhança e usam esteira ou bicicleta ergométrica em casa”, disse Hill à ISTOÉ.

Outros dados: a maioria não ingere mais de 1.380 calorias por dia, raramente comete excessos alimentares nos finais de semana, preza um bom café da manhã e se pesa uma vez ao dia (leia mais no quadro). Na opinião de Hill, o desafio para salvaguardar o emagrecimento é reformular o cotidiano. “Na população bem-sucedida que estudei, vi que foram necessários cerca de três anos para transformar uma rotina mais saudável em um hábito.”

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O outro grande estudo americano em andamento envolve centros clínicos de 16 universidades e foi planejado para durar onze anos e meio. Seu objetivo é interferir na rotina de pessoas que precisam emagrecer para reduzir o risco de ter diabetes (doença associada à obesidade) e observar quais atitudes estão relacionadas à perda definitiva de peso. Os resultados divulgados este ano, após 48 meses de acompanhamento, soam como novidade para especialistas renomados. “O trabalho mostrou que ir a consultas regularmente, do segundo ao quarto ano de tratamento, influencia muito a manutenção do peso”, diz o endocrinologista Walmir Coutinho, do Rio de Janeiro.

Regularmente quer dizer ir uma vez por mês ou até quinzenalmente ao encontro de um dos membros das equipes multidisciplinares que tratam a doença nos centros avançados. Mais uma tendência é substituir uma ou mais refeições por suplementos líquidos. Tomados fora de uma dieta controlada, no entanto, podem até levar ao ganho de peso.

Manter o contato frequente com especialistas ou orientadores é uma atitude encorajada também pelos Vigilantes do Peso. “Quem frequenta reuniões emagrece 30% melhor”, diz Fernanda Fernandes, coordenadora da organização no Brasil. A fórmula é repetida para quem entra na fase de manutenção. “Prevemos a recaída. Por isso as pessoas que atingem a meta se tornam sócias vitalícias e podem vir às reuniões que quiserem gratuitamente”, diz Fernanda.

No Brasil, um trabalho da Universidade Federal de São Paulo comprovou a importância do emagrecimento progressivo. Coordenada por Ana Dâmaso, a pesquisa orientou a perda de peso de 400 voluntários com idades entre 15 e 19 anos. Com direito a consultas durante um ano e exames como a pletismografia – cápsula que permite medir a composição corporal – os jovens foram reexaminados 12 meses depois. “No princípio, 50% tinham algum grau de gordura infiltrada no fígado”, relata Ana Dâmaso. É uma alteração que eleva a chance de ter diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Depois de um ano de dieta, metade dos jovens com o problema ficou livre dos depósitos. Um ano depois da conclusão do programa, porém, sete em cada dez tinham recuperado total ou parcialmente o peso inicial. “Além de voltar às consultas, muitos foram para a terapia”, diz Ana.

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