Artes Visuais

Vale quanto pesa

NUNO RAMOS/ Ricardo Sardenberg (org.)/ Alberto Tassinari (texto)/ editora Cobogó/ 568 págs/ r$ 150

Vale quanto pesa

Nuno Ramos/ Ricardo Sardenberg (org.)/ Alberto Tassinari (texto)/ Editora Cobogó/ 568 págs/ R$ 150

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GRANDES POLÊMICAS
Instalação “Bandeira Branca” está em livro que reúne a obra completa de Nuno Ramos

O grande formato sempre foi a praia de Nuno Ramos: desde as telas dos anos 80 até a escolha de materiais de peso como alumínio, ferro, granito, terra, cimento e mármore para as instalações. Em três décadas de trabalho, Nuno ficou conhecido como um artista de grandes discursos (é autor de cinco livros) e grandes polêmicas (como a gerada pela obra “Bandeira Branca” na 29ª Bienal por conta da presença de urubus). O lançamento “Nuno Ramos” faz jus à tradição: são cerca de 700 obras reproduzidas em uma edição de 568 páginas e robustos três quilos. Uma publicação sem economia, mas também sem desperdício.

O registro das obras é extensivo: o primeiro ateliê, a Casa 7, que dividiu com quatro pintores; a primeira galeria, a Subdistrito; a primeira participação na Bienal de São Paulo, em 1985, quando sua pintura foi alinhada à de uma dezena de outros pintores em uma só “Grande Tela”. Há ainda a primeira obra com comprometimento social e de grande impacto público, a instalação “111”, sobre a chacina do Carandiru; a primeira homenagem que prestou a Oswaldo Goeldi, sua declarada inspiração, na exposição “Para Goeldi 1”, em 1996; o primeiro filme, “Luz Negra”, de 2002. Realizado em 16 mm, o filme rende homenagem a Nelson Cavaquinho e é a primeira vez que o artista manifesta sua relação com o samba – depois fortalecida nos vídeos “Alvorada” e “Iluminai os Terreiros”, de 2004, e na instalação “Vai Vai”, em 2006, em que burros sustentam caixas de som emitindo as vozes das pastoras da velha guarda da escola de samba Nenê de Vila Matilde.

Em “Vai Vai”, foi a primeira vez que Nuno usou seres vivos em uma instalação. Depois, ele usaria duas mulheres em “Fodasefoice”, de 2008, e três urubus em “Bandeira Branca”, que causou polêmica na Bienal de São Paulo, mas passou incólume em sua montagem no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, em 2008.

Este não é o primeiro livro produzido sobre a obra de Nuno Ramos, mas é sem dúvida o mais completo, em edição impecável. Nada como uma obra bem documentada. O livro será lançado na sexta-feira 13, na SP-Arte, em São Paulo.