Tecnologia & Meio ambiente

As lições do desastre

Um ano depois do maior acidente petrolífero dos EUA, indústrias e governos recorrem à ciência e à engenharia para tentar evitar que a tragédia se repita

As lições do desastre

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2010
Aves e peixes foram as maiores vítimas do derramamento no Golfo do México

Um grupo de corais com mais de dois mil anos de idade foi encontrado vivo no Golfo do México na última semana. A área foi cenário do maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, um desastre que começou com a explosão da plataforma Deepwater Horizon – da companhia British Petroleum –, em 20 de abril do ano passado, e deixou o triste saldo de 11 mortos.

Ao longo de meses, absurdos 4,9 milhões de barris de óleo negro jorraram do fundo do Atlântico. A sobrevivência de um organismo frágil como um coral mostra que ao menos parte da natureza resistiu à catástrofe. Mas o golpe foi sentido pelo setor petrolífero, que busca soluções para que tragédias ambientais semelhantes não voltem a ocorrer.

Acima do nível do mar, cientistas e engenheiros investem em tecnologias capazes de aumentar a segurança na exploração em alto-mar. O maior perigo em uma plataforma é o chamado “blow-out”, explosão que ocorre a partir de gases inflamáveis que escapam do subsolo e atingem a atmosfera. Para interromper o caminho dessas substâncias, as estruturas contam com um mecanismo de segurança de 16 metros de altura, que sela a passagem dos gases em caso de emergência. Esse aparato não funcionou no acidente da BP e é agora um dos principais alvos dos especialistas.

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CATÁSTROFE
O acidente derramou 4,9 milhões de barris de óleo no mar. Mesmo assim,
um coral de dois mil anos foi encontrado vivo, quase um ano depois

No Brasil, pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), ligado à UFRJ, têm tentado determinar quais são as falhas mais comuns no equipamento. Eles usam a simulação computacional para chegar a modelos mais seguros e à prova de falhas. Em tempos de pré-sal, a preocupação com segurança precisa ser ainda maior. Afinal, além de terem de perfurar a rocha, as sondas atravessarão uma camada de sal de dois quilômetros. “A indústria do petróleo reviu vários procedimentos de segurança”, afirma a Petrobras, em nota, sem citar quais medidas teriam sido revistas no Brasil. O comunicado enviado pela estatal à ISTOÉ afirma que a maior profundidade não é um agravante e cita a importância da tecnologia. Os técnicos da empresa já usam simuladores 3D para inserir pesquisadores no ambiente que será perfurado no futuro próximo.

A prevenção não é a única preocupação depois do desastre do Golfo do México. “A tecnologia que foi usada para conter o vazamento ainda é a mesma desde o acidente no Alasca com o navio Exxon Valdez, em 1989”, afirma Bob Deans, coautor de “In Deep Water” (“Em Água Profunda”), livro sobre o caso do ano passado. Grandes empresas como BP, ExxonMobil e Shell criaram uma companhia para lidar exclusivamente com a resposta a desastres, que fornecerá equipamentos para eventuais operações tapa-buraco. Só resta torcer para que a capacidade de sobrevivência dos corais não seja colocada, mais uma vez, à prova.

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