Comportamento

Racismo nos estádios

Ataque a Neymar na Inglaterra reforça a perigosa onda preconceituosa nos gramados europeus

Racismo nos estádios

Confira, em vídeo, uma seleção de casos em que o racismo entrou em campo :

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IGNORÂNCIA
O atacante santista comemora seu gol pela Seleção. No detalhe, a banana atirada pela torcida

Os jogadores correram para abraçar Neymar, que marcara o segundo gol da Seleção Brasileira contra a Escócia, no domingo 27, quando um invasor entrou em campo mais uma vez: o racismo. Das arquibancadas do Emirates Stadium, em Londres, um torcedor alemão lançou no campo uma casca de banana. “Esse clima de racismo é triste. A gente sai do nosso país, vem jogar aqui e acontece isso”, lamentou o atleta, que fez os dois gols da vitória dos canarinhos. Poucos dias antes, outros brasileiros que atuam na Europa foram vítimas do mesmo preconceito (leia quadro). “Isso é ainda mais grave porque o futebol tem um valor cultural e simbólico muito grande”, afirma o sociólogo Maurício Murad, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que se dedica a estudar o futebol. No cotidiano, no entanto, os ataques preconceituosos a atletas negros e de etnias diferentes da europeia são frequentes. “Sofri muito com o racismo na Espanha, mas aprendi a conviver com isso”, desabafou o jogador Daniel Alves, do Barcelona.

Ataques de xenofobia sempre foram presentes no futebol europeu, mas pioraram com o agravamento da crise econômica, desde 2008. Com os ânimos acirrados pelas dificuldades financeiras e autoestima abalada pela economia frágil, a torcida do velho continente deixa emergir preconceitos latentes, incidindo, principalmente, sobre jogadores de países em franco desenvolvimento, como o Brasil. Atacados, os atletas vítimas de racismo preferem não entrar na Justiça. “Conversei com o Neymar e com o pai dele, quando ainda estavam em Londres, para saber se queriam entrar com uma ação, mas eles preferiram não levar o caso à frente”, conta o advogado carioca Marcos Motta, um dos maiores especialistas brasileiros em Justiça Desportiva. Motta é também representante de Roberto Carlos, que dias antes decidiu não acionar juridicamente o clube russo Zenit pelos ataques de sua torcida. Uma condenação poderia ter consequências graves. “A Fifa prevê penas severas, que vão desde multas até a exclusão do time do campeonato”, explica o advogado. Muitas vezes, a briga contra o preconceito não vai à frente por motivos financeiros: um processo desse tipo quase sempre vai contra os interesses econômicos do jogador e de seu clube.

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