Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Intolerância

O que iria pela cabeça branca e bem penteada desse aparentemente inofensivo senhor?

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Campos da Líbia, Faixa de Gaza, Ruanda, China…Não é preciso ir muito longe para encontrar sinais de profunda intolerância pelo mundo. Tente, por exemplo, a fila preferencial de uma agência bancária perto da sua casa. Aquela destinada a idosos, grávidas e pessoas com deficiências físicas, problemas de locomoção, etc… Têm sido frequentes, por mais exótico que possa parecer, ocorrências de verdadeiros combates de vale-tudo por ali. Segundo os registros, moças grávidas e senhoras idosas vêm chegando às vias de fato depois de discussões acaloradas em razão de um lugar melhor na tal fila. Mortes por assassinato já foram registradas depois de disputas por vagas em estacionamentos de shopping centers.

A imagem ao lado estará na edição de abril da “Trip”, que dedicamos ao tema intolerância. O tiozinho da foto, por exemplo, é o pastor Fred Phelps, líder da Igreja Batista de Westboro. A entidade se apresenta como uma organização cristã, mas é considerada um dos mais ativos grupos de ódio nos EUA. Com uma suposta argumentação bíblica, atira para todos os lados: segundo seus integrantes, os judeus provocaram o Holocausto, Maomé foi possuído pelo demônio, Barack Obama é o próprio anticristo. Mas o alvo preferido dos fiéis da Westboro são os homossexuais. Marcam presença frequente em funerais de gays, exibindo para os parentes em luto cartazes como o visto aqui: “Deus odeia viados”, ou “Agradecemos a Deus pela Aids”, este último duplamente estúpido, por ainda sugerir que a Aids seja algo exclusivamente ligado ao universo gay e pela discriminação pura e simples. O bando culpa a “agenda gay” pelo iminente fim do mundo, quando Jesus mandará ao inferno toda a humanidade. Exceto eles, é claro.

Contudo, a maior proteção da “Igreja” Westboro não é Deus. É a primeira emenda da Constituição dos EUA (“uma nação de gays”, informa Phelps), que garante liberdade religiosa e de expressão a todos os cidadãos.

Um dos especialistas ouvidos pelos jornalistasBruno Torturra e Renata Schmiedt, o médico Gabor Maté formulou em seu livro “Scattered Minds” uma tese assustadora: pais ausentes, uma mentalidade forjada na internet e por estímulos curtos e transitórios, a ausência de conexão com a natureza, mais drogas lícitas e ilícitas estariam afetando os centros cerebrais associados com senso moral, insights
e a noção de responsabilidade. A explosão do chamado bullying e da depressão, inclusive a infantil, seriam apenas alguns dos sintomas. O doutor Maté chegou à conclusão de que estamos criando uma geração com menores recursos neurológicos para sentir empatia pelo outro.

Tão assustador e desumano quanto ver pela televisão as imagens de um garoto sendo violentamente atacado no rosto com lâmpadas de vidro fluorescentes em plena avenida Paulista. 


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