Artes Visuais

Família de super-homens

Sergio Romagnolo/ textos de Agnaldo Farias e Oswaldo Corrêa da Costa/ Editora Martins Fontes/ R$ 98

Família de super-homens

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Sergio Romagnolo pertence à família dos artistas que conversam com super-heróis. Como o clássico da videoarte, "Technology/Transformation: Wonder Woman” (1978), de Dara Birnbaum, ou como nas sagas western de Quentin Tarantino, as pinturas que Romagnolo realizou nos anos 80 do Capitão América hipnotizado ou do Batman emboscado em armadilhas são homenagens sombrias à indústria do entretenimento. A trajetória dos deuses, semideuses, santos e super-heróis que marcaram os 30 anos de carreira do artista paulistano é apresentada no livro que acaba de ser editado pela Martins Fontes.

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Romagnolo começa seu trabalho pictórico no início dos anos 80, aos vinte e poucos anos, influenciado pelos desenhos animados e seriados das tardes da infância para a adolescência, segundo indica o critico Agnaldo Farias no texto O Corpo Denso da Imagem, produzido para o livro. Em sua primeira série de pinturas aparecem Batman e Robin em ­frames fora de registro. Essa representação juvenil – mas já vigorosa – da cultura de massa evolui para a criação de uma iconografia própria de heróis: em 1985, as telas de Romagnolo passam a ser povoadas por um casal de anti-heróis de face idêntica, olhar melancólico e postura corporal invariavelmente prostrada.

No final dos anos 80, a pintura de Romagnolo salta para a escultura e começa a perder contato com a figuração. Agora modelados em fibra de vidro ou plástico, seus personagens midiáticos entram em processo de transformação. O derretimento da imagem propiciado pela nova técnica traz à tona o interesse por santos e ícones religiosos e uma nova família de ídolos do imaginário contemporâneo: do tênis Mizuno à sandália Havaiana, passando pelo Fusca e instrumentos musicais, como “Piano com Pantufa”, de 2002 (foto).

Na última série de trabalhos, num surpreendente movimento de volta à pintura, o artista retoma a técnica usada em Batman para representar a Feiticeira. A heroína migra da tela da tevê dos anos 70 para as telas de Romagnolo de 2008 e ainda para um texto de autoria do artista, “A Feiticeira e as Máquinas”, cujo primeiro capítulo está reproduzido na monografia recém-publicada.