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Quando Ernest Hemingway dava entrevistas, ele exigia qualidade nas perguntas. Se elas não o agradavam, ele dizia: “Se você faz perguntas velhas e batidas, expõe-se a receber respostas velhas e batidas.” Isso foi contado em 1958 por um jornalista da revista “Paris Review”. O escritor também recusava-se a comentar sua obra. Para ele, seu trabalho era feito para ser lido e não explicado. Essa e outras idiossincrasias de Hemingway podem ser apreciadas na nova edição do livro “As Entrevistas da Paris Review” (Companhia das Letras). Criada em 1953 nos EUA, a revista abriu espaço para autores como William Faulkner, Jorge Luis Borges e Truman Capote.

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Leia um trecho:

William Faulkner

A arte da ficção 12

 

William Faulkner nasceu em 1897 em New Albany, no Mississippi, onde seu pai trabalhava como condutor na estrada de ferro construída pelo bisavô do romancista, o coronel William

Falkner (sem o u), autor de The White Rose of Memphis [A rosa branca de Memphis]. A família depois se mudou para Oxford, a cinquenta e seis quilômetros de distância, onde o jovem Faulkner, embora já fosse um leitor voraz, não conseguiu os créditos suficientes para se formar pela escola secundária local. Em 1918, Faulkner se alistou como cadete na Força Aérea Real Canadense. Permaneceu pouco mais de um ano como aluno especial da universidade estadual, Ole Miss, e mais tarde trabalhou como funcionário dos correios, na agência universitária, até ser demitido por ler em serviço.

Estimulado por Sherwood Anderson, escreveu Paga de soldado, de 1926. Seu primeiro livro amplamente lido foi Santuário, de 1931, romance de sensação que Faulkner afirma ter escrito por dinheiro, depois que seus primeiros livros — incluindo Mosquitoes, de 1927, Sartoris, de 1929, O som e a fúria, de 1929, e Enquanto agonizo, de 1930 — não renderam os direitos autorais suficientes para sustentar sua família.

Sucedeu-se uma incessante sequência de romances, a maioria relacionada àquela que hoje é conhecida como a saga Yoknapatawpha:Luz em agosto, de 1932, Pylon, de 1935, Absalão!

Absalão!, de 1936, Os invictos, de 1938, Palmeiras selvagens, de 1939, O povoado, de 1940 e Desça, Moisés, de 1941. A partir da Segunda Guerra Mundial, seus livros principais foram O intruso, de 1948, Uma fábula, de 1954, e A cidade, de 1957. Seus Contos completos receberam o National Book Award em 1951, assim como Uma fábula, em 1955. Em 1949, Faulkner foi o ganhador do prêmio Nobel de Literatura.

Embora tímido e reservado, Faulkner começou recentemente a viajar bastante, fazendo palestras sob o patrocínio do Serviço de Informação dos Estados Unidos. Essa conversa aconteceu em

Nova York, no ínício de 1956.

 

 

— Jean Stein, 1956

 

 ENTREVISTADORA

 

Senhor Faulkner, o senhor dizia agora há pouco que não gosta de dar entrevistas.

 

WILLIAM FAULKNER

 

 

A razão por que não gosto de entrevistas é porque pareço reagir com violência às perguntas pessoais. Se as perguntas são sobre o trabalho, tento respondê-las. Quando são sobre mim, posso responder ou não, mas mesmo que as responda, se a mesma pergunta for feita amanhã, a resposta pode ser diferente.