Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Dilma e FHC, tudo a ver

Brotou uma faísca entre os dois que pode reaproximar PT e PSDB. Seria bom para o País

Pintou um clima. Ela gosta dele, ele gosta dela. A cena se deu na Sala São Paulo, na festa de 90 anos do jornal “Folha de São Paulo”.
Do encontro entre Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, brotou aquela faísca que alguns especialistas definem como
paixão. Sorrisos furtivos, coração acelerado e promessas de encontros futuros. FHC sugeriu levar a Brasília, ao Palácio do Planalto, um grupo de velhinhos, conhecido como The Elders, que, além dele, inclui outros líderes políticos, como Nelson Mandela, Jimmy Carter e Felipe Gonzalez.
Dilma retrucou de imediato:
“Vá também sozinho.”

Nos últimos anos, FHC sempre reclamou pelos cantos do seu sucessor, dizendo que, nesse tempo todo, Lula nunca o convidou para tomar um café no Palácio do Planalto. E Lula vivia dizendo a interlocutores que FHC não era confiável. Apostava no seu fracasso para que um dia voltasse ao poder, carregado nos braços do povo. Essa relação tensa entre os dois determinou o distanciamento progressivo entre PT e PSDB, partidos que estiveram juntos em diversos momentos históricos, mas que migraram para polos opostos.

Mas que antagonismo é esse? Tanto PT quanto PSDB ocupam o campo ideológico da social-democracia. Ambos têm, entre seus fundadores, pessoas que lutaram contra a ditadura. No poder, lançaram mão de políticas sociais compensatórias. Acertaram de maneiras parecidas, assumindo compromissos com a estabilidade, e também erraram de modo semelhante – quase sempre, escolhendo vencedores na economia. Na prática, os petistas deveriam ter mais afinidades com os tucanos do que com as velhas e novas oligarquias do PMDB. Assim como o PSDB deveria estar mais próximo do PT do que do DEM.

Essa aproximação seria benéfica para o País e tem defensores no núcleo duro do governo Dilma. Um deles, o ministro Antônio Palocci, da Casa Civil, que sempre reconheceu méritos no governo FHC. Ao mesmo tempo, boa parte do PSDB – José Serra talvez seja a única exceção – gostaria de aderir a um governo que deve passar quatro anos com crescimento próximo a 5%. No fim, pode ser bom também para os dois. A presidenta Dilma, mulher livre, carrega, com todo o respeito, um quê de Ruth Cardoso. E FHC, viúvo boa-pinta, que também anda com saudades da piscina aquecida do Palácio da Alvorada, daria um ótimo primeiro-marido. Só vai ser difícil administrar as crises de ciúme de Lula. 


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