Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Esse cara é de verdade?

Empresário da aviação, guitarrista da banda Engenheiros do Havaí, olheiro da Seleção Brasileira, campeão de jiu-jítsu, produtor do Faustão, repórter de tevê e líder do PCC…

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Gente é uma experiência que não deu certo”, diria o leitor, enojado, diante da profusão dos segredos mesquinhos que vão sendo liberados pelo conta-gotas do WikiLeaks. Das picuinhas invejosas e miúdas disparadas por diplomatas e lacaios a serviço de governos a ordens frias e vis que não medem consequências para privilegiar projetos de poder doentios e interesses duvidosos.

Na edição da revista “Trip” que sairá em março, nos colocamos o desafio de tentar entender qual a importância dos segredos e das mentiras no cenário de hoje. E, mais que isso, que tipo de fascínio exercem sobre nós.

E por mais que tenhamos conseguido escapar do fenômeno midiático que mexeu com o mundo nos últimos meses, o WikiLeaks, site pilotado por Julian Assange, nos serve de parâmetro. É que os milhares de documentos até ontem secretos que ele vai revelando dia a dia não são nada mais do que um microcosmo das diferentes graduações de mentiras que compõem o universo em que estamos metidos. Mentirinhas bestas e inofensivas, tão pequenas quanto o espírito de quem as profere, convivem com omissões virulentas e destrutivas, separadas pelas mentiras e segredos de médio porte, aquelas que, como diria o eminente filósofo Paulo Salim Maluf, “estupram mas não matam”.

É evidente que imaginar um mundo sem as mentiras ou as pequenas omissões, mais do que ingenuidade, é algo assustador e temerário. Se por apenas um dia os pudores e freios civilizatórios que acionamos mentalmente, quase sempre sem sequer perceber, fossem desligados e passássemos a verbalizar tudo aquilo que atravessa nossos pensamentos, uma espécie de caos psíquico tomaria conta das ruas e arruinaria as relações humanas e boa parte dos sistemas que mantêm o mundo em pé e relativamente equilibrado. Mas é interessante perguntar se esses mecanismos não estão insuportavelmente exacerbados pelo avanço dos tempos. Foi com essa dúvida em mente que partimos para as ruas. Para investigar um pouco do que vai por nossas cabeças quando mentimos, omitimos, enganamos e também quando criamos, guardamos ou revelamos nossos segredos.

Que tipo de força teria movido um sujeito de classe média como o jovem aí ao lado a sair mentindo compulsivamente, enganando empresários, artistas e apresentadores de televisão enquanto se fazia passar por outra(s) pessoa(s), degustando fama, lambiscando poder, saboreando mulheres e gargarejando com a ingenuidade e a bobeira dos supostos privilegiados, até terminar atrás das grades? E mais: que conclusões teria tirado, depois de vivenciar por dentro mundos aos quais regularmente jamais teria tido acesso?
E, por fim, o que nos fascina tanto nessa história, a ponto de transformar sua trajetória de golpista em livros e filmes de cinema?

Este é Marcelo Nascimento da Rocha, o fulano que enganou meio mundo e agora é vivido na tela pelo excelente ator Wagner Moura no filme “VIPs”, que estreia nos próximos dias. O repórter especial Ricardo Calil conseguiu acesso a ele na Penitenciária Central de Cuiabá, onde se encontra preso desde 2009 por estelionato. Tentando decifrar sua (sem trocadilho) cabeça brilhante numa longa entrevista, ajudado pelo fotógrafo Gabriel Rinaldi, que capturou um pouco da alma do nosso 171 mais famoso do momento (no retrato que você vê aqui em primeiríssima mão), Calil deu sua fundamental contribuição para a nossa complexa tarefa.

Fale a verdade: a mentira, o mistério, o segredo… não são mesmo intrigantes espelhos?


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