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O morto começa a berrar

O médico legista Carlos Delmonte Printes, 55 anos, foi encontrado morto em seu escritório em São Paulo na quarta-feira 12. Foi o legista que fez a necropsia do corpo do prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002. Delmonte, em respeito aos cadáveres, banhava-se antes de uma necropsia (fossem dez corpos, eram dez banhos). Adorava o livro Das Jahrhundert der Detektive (traduzido para o espanhol como El Siglo de La Investigacion Criminal). Dizia que a “melhor polícia do mundo é o frio e a chuva porque as pessoas ficam em casa”, dizia também que “os cadáveres berram a sua circunstância de morte mas apenas ouvidos treinados e éticos são capazes de ouvi-los”. Delmonte não queria ser necropsiado e não queria morrer num dia quente porque “os corpos exalam odores”. Ele morreu numa tarde de calor de 34 graus, foi necropsiado e está afastada a hipótese de morte natural defendida pela polícia – ou seja, o cadáver do legista começou a berrar a circunstância de morte. A polícia é a mesma que não gostou quando Delmonte disse que Daniel foi torturado (o que dá conotação de crime político). Sendo Delmonte o morto, resta saber se apenas frio e chuva é que serão a melhor polícia do mundo.

 

Ciranda trágica

Outras seis pessoas ligadas ao caso Celso Daniel acabaram assassinadas: Iran Redua (o primeiro a identificar o corpo do prefeito), Otávio Mercier (investigador do caso), Antonio de Oliveira (garçom que servira o prefeito antes de sua morte), Paulo Brito (testemunha da morte do garçom), Dionísio Severo (seqüestrador do prefeito) e Manoel Estevam (amigo de Severo).

Morreu Bornay, morreu o luxo

Clóvis Bornay era um luxo só. E foi no luxo que ele brilhou, alfinetou, brigou e venceu tanto que se tornou hors concours nos Bailes de Gala do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos pontos altos do Carnaval nos tempos em que esse Brasil já foi, pelo menos, mais delicado. Nos bailes havia intrigas, um carnavalesco alfinetando com críticas e despeito outro carnavalesco, e Bornay fazia parte dessa fogueira de vaidades – mas ele era um personagem mítico feito de classe, refinamento, criatividade e, sobretudo, luxo. Bornay morreu no Rio de Janeiro no domingo 9, de parada cardiorrespiratória, aos 89 anos. Ele tinha a profissão de museólogo e a paixão do Carnaval. Em 1960 escandalizou cerca de 85 mil pessoas da alta sociedade quando pisou as passarelas do Teatro Municipal e do Hotel Glória trajado de Luís XV e calçando sapatos de salto alto – altura de salto que o próprio rei francês inventara. Em 1970 concebeu o histórico enredo da Portela Lendas e mistérios da Amazônia e vestido de diamantes azuis desfilou ao lado da principal destaque de Madureira, Odila de Assis. Viveu e enfeitou o Carnaval até 2002, mas, já aí e já fazia tempo, o Brasil perdera muito de sua delicadeza. Cadê o Municipal? Cadê o Glória? Cadê o glamour? Só, Bornay insistia no luxo só.

“O ônus é maior que o bônus”

A delação premiada desequilibra as ações de defesa e acusação e tem se tornado um atalho perigoso do Ministério Público. A avaliação é do advogado Joel Corrêa de Lima, da MCP Consultores & Advogados. Defendendo o escrivão Fábio Marot Kair que denunciou o envolvimento de policiais federais com o desvio de drogas e sumiço de dinheiro da PF do Rio de Janeiro, Lima disse na quinta-feira 13 que para quem denuncia “o ônus é muito maior que o bônus”. Kair está preso. Denunciou em troca da delação premiada, mesmo desaconselhado por Lima.

Laboratórios são multados por boicote a genéricos

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão ligado ao Ministério
da Justiça, condenou 20 laboratórios na quinta-feira 13 por formação de cartel e boicote aos medicamentos genéricos. As empresas terão de pagar entre 1% e 2% do que faturaram bruto no Brasil em 1998, ano em que teria sido feito o boicote. Desde a chegada dos genéricos, os laboratórios deixam de lucrar anualmente
cerca de US$ 12 bilhões.