Editorial

O ser, o ter e o parecer ter

Cometer erros não é bom, mas pior é não aprender com eles. Os erros fazem parte de todo processo de crescimento. E, quanto mais aprendermos com eles, mais saudável será esse crescimento e, conseqüentemente, mais raros serão os erros. Sabe-se que, durante a vida, não paramos de crescer. Mas não são todos que aceitam que também não paramos de aprender. Durante a vida toda. Aprende-se aos dois anos, aos 15, aos 40, aos 80 anos. E isso serve para indivíduos, casais, grupos, empresas, corporações, governos. Quando se instala o faz-de-conta, a conseqüência, cedo ou tarde, é o inevitável emburrecer. Ou seja: faz de conta que somos o centro do mundo, faz de conta que somos os reis da cocada preta, faz de conta que não erramos. E junto com a burrice vem a sua inseparável parceira, a arrogância.

O entrevistado das páginas vermelhas desta semana é o psiquiatra Roberto Shinyashiki. Atento observador do ser humano, de suas falhas e de suas qualidades, de seus erros e acertos, Shinyashiki está lançando o livro Heróis de verdade, no qual aborda os jogos de aparência hoje instalados na sociedade. Ele critica o excesso de marketing pessoal e fala sobre a necessidade de pessoas mais simples e verdadeiras. Especialista também em empresas, ele chama a atenção para o fato de a motivação ser evidentemente necessária, mas aponta como problema maior a falta de competência. Shinyashiki diz que, se antes se criticava a substituição do ser pelo ter, hoje subimos mais um degrau na escalada das bobagens humanas: estamos na fase do aparentar ter. Sua entrevista, concedida ao repórter Camilo Vannuchi, começa à pág. 7 desta edição e acreditamos, sem medo de errar (perdão!), que será muito útil e agradável sua leitura.