Cultura

Estética sem fronteiras

Com exposições didáticas e gigantescas, Bienal do Mercosul discute ocupação de espaços nas artes

Definir caminhos e regras para ocupar espaços tem sido uma grande preocupação do homem moderno. E as artes plásticas refletiram essa angústia nas últimas décadas. As obras reunidas até 4 dezembro na 5ª Bienal do Mercosul, sob o tema Histórias da arte e do espaço, em nove locais de Porto Alegre, são uma prova da tese. O curador-geral da exposição, Paulo Sérgio Duarte, parte do estilo limpo do neoconcretismo, deflagrado nos anos 50 no Rio de Janeiro por artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica, para discutir a função dos projetos construtivos latino-americanos na segunda metade do século XX. “Esses projetos sedimentaram um território coeso para a modernidade na América Latina”, resume Duarte.

Reflexões sobre a leveza (ou falta dela), relação dos trabalhos com o ambiente e “convites” ao espectador para “participar”, “mergulhar” e “fazer parte” das obras estão presentes nos trabalhos dos 173 artistas convidados. Da geométrica Fita, de Franz Weismann, aos ângulos envolventes e rigorosos de Unidade tripartida, do suíço Max Bill, marco da 1ª Bienal de São Paulo, em 1951. Da busca do tridimensional de Amílcar de Castro, o homenageado da Bienal, à imponência de um lápis sobre parede do argentino Juan Teessi, uma obra de nove metros de altura por cinco de largura. São, em resumo, exposições didáticas e gigantescas que merecem ser vistas.