Comportamento

Desafio de lordes

O bridge, jogo inglês considerado o xadrez das cartas, ganha mais adeptos

O jogo de bridge – com cartas de baralho e quatro jogadores em cada partida – está ganhando notoriedade no Brasil. Segundo o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga – um jogador de décadas –, uma das maiores qualidades do jogo é “estimular e desafiar a capacidade analítica e a intuição”. Ele define o jogo como uma boa associação entre “cérebro e lazer” e, de acordo com pesquisas, a atividade realmente aperfeiçoa a memória, melhora a concentração e desenvolve o raciocínio lógico-dedutivo. O interesse ainda é tímido, mas já captado pelo Bridge Clube do Rio de Janeiro, que comemora 50 anos de atividade oferecendo cursos gratuitos em sua sede, em Copacabana, zona sul carioca. “Está havendo uma renovação em torno do bridge em todo o mundo e também no Brasil”, diz o presidente do Clube, Francisco de Assis Chagas de Mello e Silva.

Há países, como França e Polônia, em que o bridge é ministrado nas escolas, justamente para expandir a habilidade intelectual e a memória de crianças. Esse mesmo motivo também atrai a terceira idade. A carioca Elly Wolff, 92 anos, é jogadora há meio século e atribui aos desafios das cartas seu “cérebro nota 10”. Elly discorda que bridge seja um jogo de elite, como se costuma pensar. “Aprendi com uma amiga, em Petrópolis, e hoje jogo com qualquer um.” Consta que o bridge surgiu na Inglaterra por volta do século XVI. Considerado o xadrez das cartas, virou esporte em 1960. No Brasil, a história começou em 1919, em São Paulo, na sede do Circolo Italiano no Largo da Sé, onde os poucos jogadores se reuniam para partidas amigáveis. O primeiro torneio aconteceu em 1931 e, de lá para cá, o Brasil formou grandes craques, como Marcelo de Lima Castello Branco, único no mundo a ganhar duas vezes o World Open Pairs – Olimpíada de Duplas. “Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos há 30 milhões de filiados a clubes de bridge. No Brasil, somos cerca de três mil, mas, apesar disso, já fomos campeões mundiais várias vezes”, informa Mello e Silva. Segundo ele, o presidente das Organizações Globo Roberto Marinho – falecido aos 98 anos em agosto de 2003 – era um grande jogador de bridge. “Ele foi sócio do clube até o fim. É um jogo fascinante para qualquer idade.”