Tecnologia & Meio ambiente

“Precisamos de um satélite só nosso”

Para cientista responsável por novo sistema de prevenção de desastres, só investimento no médio prazo pode evitar as tragédias de verão

“Precisamos de um satélite só nosso”

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INUNDAÇÃO
São Paulo será uma das primeiras cidades
a receber o sistema de prevenção de desastres
 

O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi convocado para uma missão estratégica. Ele vai coordenar o Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais, que deve funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano e contará com previsões climáticas e o treinamento da população em áreas de risco para evitar tragédias como as que acometeram a região serrana do Rio de Janeiro, no começo do ano. À ISTOÉ, Nobre dá detalhes do sistema e fala da importância de um satélite nacional para melhorar as previsões.

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ISTOÉ – A falta de um satélite brasileiro prejudica o funcionamento do sistema?
Nobre – O Brasil tem que se planejar para ter um satélite meteorológico geoestacionário (que fica “estacionado” sobre o território) nosso, para melhorar a capacidade de detectar o que muda na atmosfera. Atualmente, usamos um satélite americano e um europeu. Eles fornecem esse tipo de informação, mas o Brasil não os controla. Precisamos de autonomia.
 
ISTOÉ – Qual o problema em usar os satélites estrangeiros?
Nobre – Hoje não acontece, mas já ocorreu no passado, na época em que havia muitos furacões nos EUA. Era só um dos dois satélites americanos parar de funcionar e eles viravam a câmera do que estava parado sobre o Brasil para o Caribe. O resto do mundo recebia uma imagem dele a cada três horas. É preciso tê-las a cada dez, 15 minutos para acompanhar o movimento rápido das nuvens. O Brasil é tão grande e diverso que justifica ter um satélite nacional. Mas não é algo que se consiga implantar em curto prazo.
 
ISTOÉ – Uma possível mudança no Código Florestal vai na contramão desse sistema?
Nobre – As áreas que foram ocupadas de forma irregular representam muito perigo. A floresta protege o solo e funciona muito bem para diminuir o risco de deslizamentos e inundações. Mas mesmo o código vigente não é adequado para proteger áreas expostas nas cidades. Ele tem princípios de proteção da água, do solo e da biodiversidade, mas nada sobre a proteção da vida humana.
 
ISTOÉ – Por que o sistema só vai estar pronto em 2015?
Nobre – A proposta é começar o processo de implantação gradativa do sistema, começando com municípios que possuem um mapeamento bom ou excelente das áreas de risco – e já são muitos. São Paulo e Rio são dois deles e já vão colher resultados antes de novembro. Gradativamente, faremos o ma­peamento detalhado das outras áreas. Dentro de quatro anos, esperamos ter alcançado 500 municípios.

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