Comportamento

Marilyn não morreu

O maior símbolo sexual de todos os tempos tem os direitos de imagem vendidos e revive em campanhas publicitárias milionárias, reality show e até no cinema

Marilyn não morreu

Para matar a saudade da atriz, assista a vídeo com alguns dos momentos mais marcantes da sua vida:

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MUSA
A diva loira será a garota-propaganda da Dior neste ano

 

Ela é a mais nova musa da grife Christian Dior, vai estrelar um novo filme, será tema de um reality show e ainda está prestes a fechar contratos com marcas de cosmésticos, lingerie e utensílios domésticos. Uma rotina normal de celebridade se não fosse pelo fato de a garota-propaganda em questão ter morrido há 49 anos. Marilyn Monroe, que completaria 85 anos neste ano, permanece sinônimo de ótimos negócios e movimenta ainda mais dinheiro que no auge de sua fama, nos anos 1950. Foram cerca de US$ 5 milhões só no ano passado e mais de dois mil contratos de licenciamento nos últimos 20 anos.

Mas 2011 se anuncia ainda mais especial e lucrativo. E o responsável pela nova ressurreição do maior símbolo sexual de Hollywood é Jamie Salter, CEO de uma das maiores empresas de propriedade intelectual do mundo, a Authentic Brands Group (ABG). O grupo americano, em parceria com a companhia de entretenimento Neca, acaba de comprar os direitos de nome e imagem da loira, que pertenciam a Anna Strasberg, terceira esposa de Lee Strasberg (1901-1982), professor de atuação de Marilyn durante oito anos. Em seu testamento, a diva deixou o controle de 75% do seu patrimônio para o mestre administrar, em gratidão por sua tutela artística e pessoal antes e depois de ela se tornar uma estrela. Com sua morte, os direitos passaram para as mãos de Anna. As cifras do negócio não foram divulgadas, mas ficaram em torno de US$ 50 milhões. O objetivo de Salter é tornar a estrela ainda mais popular no mundo inteiro.
“A geração mais nova vai se apaixonar por ela como nós nos apaixonamos”, comentou o especialista em marcas, que também detém os direitos do cantor de reggae Bob Marley. “Por que Lindsay Lohan se inspira em Marilyn? Por que Lady Gaga também faz o mesmo? A verdade é que ela é uma personalidade icônica, de grande estilo, simplesmente elegante”, diz o empresário.

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GRATIDÃO
Os direitos sobre a imagem da atriz ficaram
para Lee Strasberg (à direita, com Anna)

A imagem irretocável da artista, que morreu por overdose de remédios aos 36 anos, foi a escolhida da Casa Dior para seus anúncios neste ano. A estrela vai aparecer não só em campanhas impressas da grife francesa como também em peças pela internet e tevê, com o uso de tecnologia de imagem. A mesma técnica ainda vai permitir que Marilyn retorne para as telas de cinema, para o deleite dos fãs da atriz, que protagonizou 30 filmes, entre eles os clássicos “Os Homens Preferem as Loiras” e “Quanto Mais Quente Melhor”. Salter promete ainda mais iniciativas “audazes e imaginativas” para reviver a loira fatal na atualidade. Uma delas será um reality show chamado “Quem Será o Próximo Rosto de Marilyn”, que escolherá a mulher que participará das campanhas publicitárias “ao lado” da atriz.

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POTENCIAL
A imagem de Marilyn rendeu US$ 5 milhões só em 201
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Especialistas tentam explicar por que Marilyn desbanca atrizes e modelos deslumbrantes que circulam sacudidas por aí, entre tapetes vermelhos e passarelas internacionais. Foi a morte prematura e o congelamento de sua imagem jovem que a transformaram em um ícone, afirma o professor de branding da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo Júlio Moreira. “As pessoas não a viram envelhecer e a sociedade valoriza muito a juventude.” Para ele, Marilyn representa não só uma mulher sensual e independente como também emancipada e com um gosto pelo proibido. Para o especialista em licenciamento de marcas no Brasil Moacir Galbinski, ela é um negócio com potencial para expandir ainda mais. “O sucesso da imagem de Marilyn se deve ao fato de ela circular em todas as classes sociais, porque as mulheres se identificam com a beleza mais fora dos padrões dela”, afirma Galbinski. Fora dos padrões talvez, mas totalmente dentro do imaginário universal.

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