Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Batendo bola

O que aproxima o mega-craque Raí e o artista plástico Vik Muniz?

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Há muito mais em comum entre esses dois caras do que julga a vã filosofia. Ok, um é filho de um garçom e de uma telefonista, nasceu no bairro paulistano da Lapa e cresceu em outros como Pirituba e Vila Pompeia, até se mudar na década de 80 para os Estados Unidos. O outro é do interior do mesmo Estado, de Ribeirão Preto, na mesma década de 80, se muda para a capital e em 93 para Paris.
O da esquerda é campeão mundial de futebol e um dos mais respeitados atletas da história. O da direita, um dos mais aclamados artistas plásticos brasileiros do nosso tempo. Até agora, além do fato de serem artistas com talentos reconhecidamente acima da média, poucas
semelhanças nas biografias.

Aí vai então: os dois são filhos de pais cearenses. É pouco? Então vamos ao que interessa: ambos perceberam que a vida passa rápido e que é melhor não se deixar lobotomizar por ilusões como sucesso, fama e grana. Mais: os dois dedicam partes importantes de seus recursos, em especial a mais valiosa, o tempo, para entender e tentar afastar o sofrimento dos outros. Raí, para quem não sabe, o cara da esquerda, desde que deixou os campos, leva adiante um dos mais bem-sucedidos e redondos projetos educacionais para estudantes carentes do Brasil. Vik mantém um movimento que intermedeia a relação entre empresas e ONGs e que igualmente ensina – e emprega – gente boa e pobre a lidar com lixo e arte. É dele, por exemplo, a iniciativa que gerou o trabalho que inspira a abertura da principal novela da Rede Globo, realizada pela ONG Spetaculu, do artista carioca Gringo Cardia.

Vik fala sobre sucesso: “O sucesso te distancia do mundo. Você começa a circular em áreas exclusivas, ver um grupo restrito de pessoas. Comecei a ficar com medo disso. O topo é muito solitário. Tive que parar de querer ser o melhor e me imaginar repartindo a ideia de ser melhor.”

Do papo com Raí, mais uma frase boa: “A gente esquece que está tudo interligado. Hoje em dia é preciso ter a capacidade de fazer conexões. Não é o homem que vai salvar a humanidade. É a humanidade que vai salvar o homem.” Raí fecha dizendo: “É muito bom tocar as pessoas, promover a mudança em cada um e na sociedade.” Raí e Vik não se conheciam. A foto de Claus Lehmann registra o encontro dos dois promovido pelo Prêmio Trip Transformadores, uma ideia que procura lembrar justamente que tudo está interligado e valorizar quem percebeu isso e parte para promover mudanças verdadeiras, começando por si próprios.

A coluna de Paulo Lima, fundador da editora Trip, é publicada quinzenalmente


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