Comportamento

Só para mulheres

Cansadas do assédio masculino, mexicanas têm agora ônibus exclusivos na capital do país

Só para mulheres

SOSSEGO Em ônibus onde homem não entra as mexicanas viajam sentadas e até lêem (gregory bully)

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Com 22 milhões de habitantes, ônibus e metrô lotados são comuns na Cidade do México, uma das cinco metrópoles mais populosas do mundo. Lá, as mexicanas ainda têm de lidar com uma situação conhecida de muitas brasileiras: o assédio sexual durante as viagens. Por isso, desde o início do ano, a cidade oferece 65 ônibus reservados apenas às mulheres. Ali homem não entra e sem eles a tranqüilidade reina, segundo as mexicanas. Apesar de representar só 5% da rede e de o tempo de espera nos pontos ser de 30 minutos, a iniciativa foi bem recebida. A idéia partiu de uma mulher que já sofreu na pele os abusos nos transportes públicos. A mexicana Ariadna Montiel, 33 anos, que hoje é a responsável pelo controle das redes de ônibus da capital, conta que nunca vestia saias, quando sabia que ia usar ônibus ou metrô, na época em que ainda freqüentava a faculdade de arquitetura.

A proposta de ônibus exclusivos é nova, mas vagões especiais para mulheres e crianças no metrô, em horários de pico, já existem na Cidade do México há dez anos. Outros países como Japão, Índia, Taiwan, Filipinas e Egito também oferecem o serviço. No Brasil, no Rio de Janeiro, uma lei estadual de 2006 obriga as empresas de metrô e trens a disponibilizarem vagões exclusivos para as mulheres, em dias úteis, das 6h às 9h e das 17h às 20h. Em cada composição, há um carro identificado com um adesivo com o símbolo feminino. A SuperVia, concessionária dos trens no Rio, orienta os homens a não embarcarem nesses vagões nos momentos de pico. “Enfrentar transportes superlotados já é um desconforto em si, e não precisa ser somado ao constrangimento e à humilhação causados por indivíduos que se aproveitam deste fato para ultrapassar os limites e abusar das mulheres”, justifica Jorge Picciani, deputado estadual pelo PMDB.

Em São Paulo, a prática do assédio sexual levou a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) a testar vagões exclusivamente femininos na década de 90. Eles existiram no metrô e nos trens da CPTM entre outubro de 1995 e setembro de 1997 e foram implantados depois que um homem ejaculou em uma mulher dentro de um vagão. A proposta não vingou porque a CPTM alegou que não poderia ferir o artigo 5o da Constituição, que estabelece igualdade de direitos entre os cidadãos, e alguns casais também reclamaram. Hoje, na capital, existem apenas vagões reservados, nas estações mais cheias – nos horários de pico da manhã e noite –, para gestantes, idosos, portadores de deficiência física e pessoas com crianças de até cinco anos.

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